Queriam a galinha dos ovos de ouro, mas ficamos, foi, com uma poedeira, e já não mau

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Queriam a galinha dos ovos de ouro, mas ficamos, foi, com uma poedeira, e já não mau

Mensagem por Tiago Ferreira em Qui 13 Nov 2014 - 10:25

O pelotão nacional de equipas continentais UCI tem vindo, nos ultimos anos, a lançar uma série de jovens portugueses, oriundos do escalão sub-23, com formações condicionadas a um limite de idades, que limita, não só as prestações das respetivas equipas, como cria, nos ciclistas, uma falsa promessa de uma carreira, muitas vezes interrompida no apogeu das suas potencialidades, isto é aos 28 anos de idade.

A legislação das equipas continentais UCI, obriga a que a maioria dos componentes de uma equipa tenham de ter menos de 28 anos de idade, ora à medida que os anos vão passando, alguns bons ciclistas ou são obrigados a mudarem de equipa, ou a abandonarem prematuramente a sua carreira, enganados que foram por um sistema feito à medida para os grandes países e para as grandes equipas. Enganados, porque foram atraídos para uma carreira profissional que lhes limita os horizontes aos 27 anos de idade.

Na verdade, as legislações da UCI sempre foram feitas para o circulo limitado da elite mundial: Espanha, França, Itália, Bélgica, Holanda , onde existem verdadeiras equipas profissionais, e onde se justificaria a existência de uma regulamentação apertada, nas formações continentais UCI, no sentido de promoverem jovens atletas para as equipas dos seus países. Em Portugal, as unicas equipas profissionais que existem, são as continentais UCI, que são obrigadas a cumprirem um regulamento, que prejudica seriamente a carreira de um atleta, pois não tem hipótese de saída para uma equipa nacional profissional, porque estas não existem. Por seu turno, as equipas são obrigadas a formarem jovens ciclistas que, atingindo valor desportivo acima da média, passam para as equipas Wordl Tour ou simplesmente continenais, sem que seja tida em linha de conta, qualquer indeminização para o trabalho efetuado, pelo ciclismo nacional.

Quando o presidente da Federação de Ciclismo da Bélgica e ao que julgamos leader da UEC, União Europeia de Ciclismo, tal como Gianni Bugno, presidente dos ciclistas profissionais, pelos vistos apenas dos mais bem pagos do mundo, estiveram presentes numa conferência, organizada pela FPC, em agosto ultimo, em Viseu, e questionados ambos sobre esta limitação de idades, mostraram grande assombro pela questão. O tema da limitação de idades era coisa do passado, já tinha sido discutida, deixando a entender que tudo teria mudado. O que afinal não aconteceu.

Voltando novamente à nossa realidade, com apenas quatro equipas de sub-23, e seis equipas continentais, a fonte de recrutamento das equipas nacionais é extraordinariamente limitada, pois face a tão pequena possibilidade de escolha, a qualidade forçosamente não abunda. A pirâmide está invertida e, por isso, na ânsia de procurarem melhorar as suas equipas, é legitimo que, muitas delas se virem para o estrangeiro, em especial em Espanha, onde apesar dos vencimentos, dos ciclistas profissionais serem maiores, as opções são mais limitadas, face ao elevado numero de ciclistas disponíveis, isto em comparação com a realidade nacional.

Uma vantagem que os nossos jovens ciclistas desfrutam, em relação a Espanha, e aí a nossa legislação é mais assertiva, é a proteção que é dada aos jovens sub-23, cujas equipas são obrigadas a privilegiar, enquanto em Espanha, praticamente não existem equipas deste escalão, mas sim equipas compostas na sua maioria por ciclistas elite .Por isso, em tão pouca quantidade, comparado com a Espanha, teremos cerca de 30 sub-23 a correr, dispersos por quatro equipas, o que é de admirar uma qualidade acima da média, para o que contribui decisivamente, a possibilidade que é dada aos jovens de sub-23 de correrem toda a temporada em conjunto com os profissionais,o que já acontece com muitas modalidades desportivas, que antecipam a idade de juniores, para mais rapidamente poderem jogar com os seniores.

Por isso, quando se comparam realidades, distintas em todos os aspetos, pela diferença económica existente entre dois países, como Portugal e Espanha, os ordenados estão compatíveis com o nível de vida de ambos,e poderemos constatar que o valor é semelhante, se fizermos uma correlação entre o ordenado minimo nacional dos dois países. O que limita as equipas portuguesas, na busca de melhores condições aos ciclistas nacionais, são condições estruturais que não ajudam ao seu desenvolvimento e que,. no âmago da questão, já vem de trás, desde o momento, em que um célebre diretor federativo, cortou cerce, a possibilidade que os clubes tinham de mostrar os seus patrocinadores durante todo o ano. Referimo-nos, como é óbvio. ao afastamento do JN do ciclismo. A partir daqui, o ciclismo nacional veio sempre em queda livre, e os vencimentos dos ciclistas que, nesta época não tinham obrigatoriedades de profissionalismos, ou de ordenados minimos, era bem superior às atuais mensalidades minimas.

E veio em queda livre,em termos de divulgação da modalidade, de organização de provas, de patrocinadores, que não têm agora, a mesma rentabilidade que tinham no tempo do JN. Mas, alguém quis ficar com o bolo só para si, pensando que ia ficar com a galinha dos ovos de ouro. Ficamos todos, foi com uma galinha poedeira , e já não é mau.

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